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My Cherry Lips

Um blog sobre moda, beleza e lifestyle, onde partilho convosco tudo o que gosto e que faz parte do meu dia a dia.

Qua | 20.06.18

Um passo de cada vez para aprender a gostar mais de mim

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Foto: Gerson Fialho

 

Bem, já devem ter reparado que ando um pouco desaparecida do blog, a verdade é que precisava de alinhar algumas ideias. Digo isto, porque depois da festa de aniversário do "My Cherry Lips" passei por alguns momentos que me deixaram muito triste e por consequência senti que nada estava a fazer sentido. Isto é,  antes da festa de aniversário do blog passei por bastante stress e isso fez com que as relações com as pessoas à minha volta se degradassem e o sentimento de falha apoderou-se de mim. Para além disso, eu sofro daquele problema que muitas de nós temos: sou a minha maior inimiga. Sim, porque nós mulheres conseguimos ser más umas com as outras, mas nós conseguimos ser ainda mais cruéis connosco próprios.

 

Até porque durante toda a minha vida achei que toda a gente era melhor que eu. Aliás, eu era a mais gorda do meu grupo de amigas, não tinha notas por aí além, não tinha namorados, era vítima de bullying diariamente, basicamente o que poderia ser bom numa vida assim? A verdade é que sobrevivi a isso tudo, tenho 31 anos, tenho um emprego, sou financeiramente independente, tenho saúde, tenho uma família e alguns amigos que gostam de mim, tenho a melhor cãopanheira do mundo (a Júlia), atualmente estou solteira, mas já fui bastante feliz no amor e tenho um corpo que não está dentro dos padrões das it bloggers e instagrammers, mas é o que tenho e foi preciso passar por um daqueles momentos de bater no fundo para perceber que pessoas más vão existir sempre e eu tenho de ultrapassar todo o mal que me fizeram durante a adolescência e aprender a gostar de mim como sou caso contário nunca vou ser a mulher que quero ser.

 

Ora o meu momento de "revelação" aconteceu quando outro dia fui ter com um amigo para fotografarmos um look para o blog. Tinha acabado de sair na estação de Monte-Abraão e junto à paragem de autocarros estava uma senhora sentada a ouvir música. A senhora era obesa, estava vestida com uma saia com padrões africanos, um soutien e tinha uma tatuagem com cerejas, que foi o que me chamou à atenção. Não sei se foi uma coincidência, mas durante os cerca de 10 minutos em que estive à espera do meu amigo observei-a atentamente e a verdade é que estando fora dos supostos padrões normais da sociedade atual, aquela mulher africana emanava auto-confiança se não também não estaria assim tão à vontade num sítio onde passam tantas pessoas. O que me fez pensar: ok, eu tenho curvas, visto o L, mas sou mais do que um número... sou uma mulher criativa, divertida (ainda que com um humor cáustico (metade das vezes as pessoas não percebem quando estou a brincar ou fazer uma piada porque estou a dizê-la num tom normal, herdei isto do meu pai)), independente, lutadora (ainda que às vezes seja um pouco desbocada e viva com o coração na boca), com saúde e com sonhos (como por exemplo ser mãe, que atualmente até já o posso fazer sozinha). Ou seja, por que raio é que eu tenho de me sentir inferior às outras pessoas? 

 

Depois daquele momento, fui então com o meu amigo fazer as fotografias, que entretanto saíram neste post, e ao vê-las apercebi-me que sim, aquela sou eu, não sou feia, não sou igual às outras e sim sou bonita à minha maneira, com as minhas curvas, com a minha personalidade, sem photoshop e com pouca maquilhagem (a maioria das vezes mesmo sem), mas sim EU SOU BONITA e se eu não me amar primeiro, quem irá amar? Assim, decidi que deveria fazer reset e começar de novo.

 

Comecei então a procurar as coisas que sempre me fizeram feliz, mas que não fazia porque estava sempre com medo de gastar dinheiro (porque sim, vivo no constante medo de perder tudo e só quem já passou por isso compreenderá), como por exemplo fazer uma compra por impulso, passear mais vezes a minha cadela, estar com amigos sem estar sempre nas redes sociais, convidar pessoas com quem já não estava há muito tempo para cafés, investir na minha formação (fui fazer uma formação sobre SEO e outra de conteúdos), pedir ajuda quando me sentia mais sozinha, chorar, dar tudo num concerto... Coisas que são necessárias para nos encontrarmos e percebemos que como diz a minha mãe "o que tiver de ser meu será", por isso resta-me aceitar-me/amar-me como sou (até porque quem não nos aceita/ama como somos é que perde) e tentar ser feliz.

 

Posto isto, não se preocupem que estou a preparar muitos conteúdos para o meu regresso.

 

Beijinhos

Graziela

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